segunda-feira, junho 09, 2008

Estamos constantemente cantando a ausência das pessoas e das coisas.
O vazio dói, a falta sobra...
Mas a única coisa que resta de tudo parece ser a angústia. A angústia é o que fica no final, é o que preenche essa ausência e ela, ah, não sei cantar.

segunda-feira, maio 26, 2008

segunda feira triste.

Será que tudo mesmo nessa vida é ou tem que ser efêmero?
Fico imaginando qual o sentido, qual a sensação das pessoas que passam alguns instantes conosco e depois desaparecem. Como uma Supernova, sabe? Ela explode, agrega todas as partículas e depois emana uma das luzes mais brilhantes do universo. Depois, da mesma forma que ela surgiu, explodiu, ela desaparece.
É meio que aquela coisa "How does it feel to treat me like you do?", mixada com "Why can't we be ourselves like we were yesterday...".
Eu não sei o que, quem você ou como despencou na minha vida de repente. Eu só sei que tenho que lutar para que esse brilho, essa luz mais forte não desapareça, como uma supernova no céu.
Acho que estou amando.

sábado, maio 24, 2008

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionario publico com livro de ponto expediente
[protocolo e manifestacoes de apreco ao sr. diretor.
Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionario
[o cunho vernaculo de um vocabulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras, sobretudo os barbarismos universais
Todas as construcoes, sobretudo as sintaxes de excecao
Todos os ritmos, sobretudo os inumeraveis

Estou farto do lirismo namorador
Politico
Raquitico
Sifilitico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.

De resto nao e'lirismo
Sera'contabilidade tabela de cosenos secretario do amante exemplar
[com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de
[agradar 'as mulheres etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bebados
O lirismo dificil e pungente dos bebados
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Nao quero mais saber do lirismo que nao é libertação.

terça-feira, abril 22, 2008

"...Acho que me perdi numa excursão que fiz...fiz pra onde?"

Post original 22/07/2006

Hoje acordei com tendência aos dias infantis.
Passar o dia todo em casa, arrumando o quarto, ou limpando alguma coisa qualquer.
É curioso morar numa bagunça. A cada dia você descobre coisas novas. Um livro, um bilhete, um cupom fiscal. Não são coisas que foram guardadas. São coisas que foram esquecidas em algum lugar, e agora, apodrecem com o tempo.
Morar numa bagunça me dá a impressão de não saber direito quem sou, e o que sou(ainda não descobri qual dos "quês" é mais grave.)São muitas coisas espalhadas. Muitas coisas que precisam ser jogadas fora. Mas por algum motivo, que não sei qual, permanecem ali, imóveis. Úteis, inúteis. Estão tão misturadas, que não dá mais pra saber quem é quem, quem é o quê(bagunça homogênea). . .
Olho para a caixa, cheia de folhas de matérias já vistas. Olho para as folhas e não sei mais ler o que está escrito ali. Pego a agenda de Dois Mil e Três. A mão aquece, os olhos aquecem. Lembranças enchem o peito. Nào, mas elas não me completam mais. Precisam ser queimadas. Pertencem a garota do primeiro colegial, que achava estranho a possibilidade de alguém no mundo ser como ela. Os mesmos pequenos problemas, e minúsculos dilemas. O colégio terminou. O cursinho acabou. O primeiro ano da faculdade acabou. Talvez eu nem precise tanto de que hajam tantos vestígios deles. Preciso queimar a caixa toda! Nela há muito Mariana, muita literatura morta e mal vivida.Redações mal feitas, cálculos mal resolvidos, minutos mal resolvidos. Cartas que não entreguei. Tem inexatidão ali, não quero mais.
Me diz: além da caixa, o que devemos fazer com as lembranças que enchem o peito, que fazem chorar. Guardamos de novo, numa nova caixa, ou soltamos por aí?
"E diz pra mim, o que é que ficou?"